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21/11/2012

Ender's Game

Acabei de ler os primeiros três livros da saga de Ender, pelo autor Orson Scott Card e... uau!
Ok, ficção científica não costuma ser o meu género favorito (vou mais por fantasia), mas não consegui largar estes livros! A última vez que fiquei tão agarrado a uma séria foi com a "Song of Fire and Ice" (mais conhecido por "Game of Thrones"). E devo dizer que colei logo nas primeiras páginas do "Ender's Game".
"Ender's Game" é o primeiro livro desta série, e a forma como a sociedade é apresentada, a forma como a personagem principal se movimenta naquela realidade e as questões com que é obrigado a lidar fascinaram-me desde logo. Pesado, intenso, credível. Impossível não me transpor na pele de Ender Wiggin, e de viver a vida dele.
Não vou dizer do que trata o livro, porque quando peguei nele também não sabia nada a não ser que vinha muito bem recomendado, e com prémios literários do género, e isso ajudou à surpresa. É daqueles livros em que ficamos presos a cada página sem saber o que vai acontecer a seguir, com um crescendo de intensidade contínuo, e com um final absolutamente formidável! Questões políticas, antropológicas, sociais, éticas e morais fornecem um grau de profundidade pouco usual neste tipo de literatura (ou mesmo em qualquer tipo recreativo).
Quanto aos outros dois livros "Speaker for the Dead" e "Xenocide", são livros mais lentos, e mais densos em termos filosóficos. Mas não temam, porque a forma como o autor levanta as questões é absolutamente brilhante, e capaz de cativar  mesmo aqueles que menos gostam das questões mais abstractas da filosofia, e isto tem um motivo: nestes livros, as questões não são abstractas - servem propósitos muito específicos! Aliás, o decorrer da acção do livro depende da forma como são abordadas essas questões! E mais uma vez, proporciona uma viagem vertiginosa na qual ficamos agarrados, com a clara sensação de que tudo vai correr muito mal, sem saber como será possível deslindar o embrulho criado!
Genial.
 

04/09/2012

Calvin and Hobbes

No outro dia estava a falar com um amigo sobre comics, e veio à baila o meu favorito de todos os tempos: Calvin and Hobbes.
Quem não conhece estas personagens? Mesmo os que não são fãs de comics, de certeza que já se depararam com uma ou outra tira desta BD, e aposto que leram as vinhetas com um sorriso nos lábios.
Intemporal, cáustico, hilariante, tolo, crítico, e comovente. Estas são algumas das características que marcam as histórias contadas por Bill Watterson, através dos olhos de Calvin, um menino de 6 anos com uma imaginação muito fértil, e Hobbes, um tigre de peluche que é o companheiro e cúmplice nas aventuras de Calvin.
Fiquem com uma das minhas tiras favoritas! ;)

 
 
Já agora aproveito para dizer que o autor é professor de Filosofia, e que o nome das personagens são o nome de dois filósofos (sendo Hobbes um favorito pessoal). ;P

30/06/2012

3 livros, 3 desilusões

Pois é. Finda a interminável (no bom sentido, ok?) saga da Dark Tower regressei a livros de tamanho pequeno (normal... vá!), optando por uma leitura mais simples. Para descansar, disse eu. Erro. Neste caso particular, claro. Então foi assim:

Primeiro livro lido:
Título em português: A minha vida com o Lama
Título original: Living with the Lama
Autor: Lobsang Rampa
Editora: (peço desculpa mas não sei, e como o livro era emprestado e já o devolvi não posso ir consultar)
Data da primeira edição: 1964

Opinião: A ideia do livro está engraçada. A vida, ou parte dela, vista pelos olhos de uma gata. O resultado nem por isso. Ou melhor, também não vou exagerar, é engraçadinho, vá! Lê-se. Mas falta qualquer coisa. Acabei o livro com a sensação de "mas é só isto?". Uma coisa que acho que não ajudou, confesso, foi o facto de eu ter lido uma edição brasileira de 1981. Se ler alguns livros em português já é mau, em brasileiro ainda pior. Ademais, aquilo era uma miscelânea de estilos. Se havia partes do livro em que as passagens era demasiado rápidas, ficava a sensação de que seria preciso ali mais qualquer coisinha, outras havia em que o autor se prendia com descrições desnecessárias. Outra coisa que detestei era o facto de estar sempre a repetir certas ideias. O leitor não é estúpido, ok? Percebe logo a coisa à primeira ou, quanto muito, à segunda!

Segundo livro lido:
Título original: Uma casa na escuridão
Autor: José Luís Peixoto
Editora: Quetzal
Data da primeira edição: 2002

Opinião: Matem-me! Ou então simplesmente proíbam-me de cair na estupidez de ler outro livro do Sr. Peixoto. Qualquer coisa. Isto foi excruciante. A única parte positiva foi o facto do livro só ter 253 páginas e o tamanho da letra ser enorme. E mesmo assim, ler 253 páginas de nada... digo-vos... é cansativo. É que não diz nada! Não tem principio, não tem meio, não tem fim. Tem 253 páginas de... coisas. Admito que haja gente a gostar deste tipo de livros em que se expressam ideias que não levam a lado nenhum. Aliás, de certeza que há muito boa gente a dizer que isto é uma metáfora para qualquer coisa grandiosa, existencialista, sei lá... assim um termo bonito qualquer. Pois se é, que até pode ser, passou-me ao lado. Sou demasiado insensível para metáforas rebuscadas. E assim sendo, odiei ler este livro. Ainda assim, parabéns ao senhor pelas suas repetições e aliterações, foi o que me impediu de morrer totalmente de tédio.

Terceiro livro lido:
Título em português: Laços que perduram
Título original: The Guardian (já começa bem por aqui!)
Autor: Nicholas Sparks (com um título destes não havia muitas hipóteses realmente...)
Data da primeira edição: 2003

Opinião: Não sei como é que caí na esparrela de me por a ler outro livro do Nicholas Sparks. Sim, porque se na primeira quem quer cai, na segunda só cai quem quer. Foi me emprestado com a descrição de que era diferente dos outros livros do Nicholas Sparks. Ora eu só tinha lido até ao momento um livro do Nicholas Sparks, apesar de no fim ter ficado com a impressão de que já conhecia toda a sua obra, e este - confirma-se - era igual. A mesma coisa. A senhora sozinha, coitadinha, muito infeliz, ai que ninguém me ama e ai que nenhum homem me serve depois daquele que foi O homem mas que partiu. Ai que afinal secalhar já há aqui um que serve, e que parva que eu sou que esteve sempre à minha frente e eu só agora é que reparei nele. Ai mas afinal um dos outros que não servia é maluco e anda atrás de mim, ai de mim que perigo que eu corro. Ah mas o outro que eu descobri tarde mas que ainda foi a tempo me vai ajudar a lidar com a situação. E aliás, vê-se logo que é o homem da minha vida porque o meu cão só gosta dele, rosna aos outros todos. Enfim. Já para não falar das personagens que mudam de opinião como quem muda de camisa e sem se perceber muito bem porquê. E, não satisfeitos com isto, os senhores da Editorial Presença ainda conseguem piorar o livro com uma tradução de meter medo! A sério, do pior que eu já li. Um exemplo, que para mal da minha já de si má experiência literária, não era caso único: "Agora fizeste-la bonita". FIZESTE-LA?! Pá, nada a acrescentar.

25/05/2012

The Dark Tower

"The man in black fled across the desert, and the gunslinger followed." E eu com ele. Ao longo de 7 livros, 4125 páginas (não, não fui somar o número de páginas de cada livro! O goodreads dá-me essa informação em segundos!) acompanhei as aventuras e desaventuras de Roland de Gilead, na sua busca insana pela Torre Negra, através de um mundo pós-apocalíptico com parecenças e ligações (sim, ligações mesmo, tipo portas) ao nosso próprio mundo. E adorei! As personagens estão fantásticas, as suas personalidades muito explícitas e demarcadas, tanto que, ao fim de um certo tempo parece que as conhecemos realmente. E temos genuína pena… diria mesmo tristeza, quando morrem. Sim, porque a história não é feliz. O próprio autor afirma que na vida há momentos felizes mas que não há finais felizes e que, assim sendo, qual seria o sentido do livro ter um final feliz? E na minha opinião, este livro teve um final absolutamente B-R-U-T-A-L! Não tinha imaginado tal coisa e fiquei não só boquiaberta como teve a capacidade de me deixar a pensar naquilo. Voltando agora um bocadinho atrás e falando do andamento do livro em si, eu acho que o autor andava em ácidos! Ou então a capacidade de imaginação dele é uma coisa inimaginável. O livro é uma sopa de acontecimentos fantásticos e surreais nos quais o próprio autor entra como parte fundamental do livro, a fazer dele mesmo. E mesmo no meio de tanta alucinação – chega a parecer que o livro está fora do controlo e não vai chegar a lugar algum – posso dizer que adorei! Houve apenas ali uma altura, no final do quarto livro, cerca de 100 páginas (2.42% do total do livro!) que eu achei que foi demasiada viagem na maionese, mesmo para mim, mas que felizmente não chega para estragar o livro nem a sensação que dele se tira. Um grande (enorme!) agradecimento a quem me ofereceu esta saga e me proporcionou 5 meses de boa leitura!

25/04/2012

Nicholas Sparks

Num momento de espera, a única coisa que tinha à mão era um livro de Niholas Sparks, e entre ver quem passa na rua, ou passar os olhos num romance, venha daí o livro.
Para quem não sabe, e duvido muito que alguém não saiba, o sr. Sparks é um romancista de sucesso indiscutível! Tudo o que homem escreve torna-se best-seller e, chances are, convertido em filme. De certeza que, mesmo nunca tendo lido um livro dele, já viram um filme baseado num romance qualquer do homem.
Sem dúvida que descobriu a fórmula do sucesso, e segue-a à risca. O tipo de escrita dele é muito ligeira, e carregado de clichés. Não é o tipo de leitura que mais aprecio, mas não censuro quem pegue num livro destes para " descansar" de leituras mais profundas ou mais complexas. Que diabos, eu também gosto de ver filmes ou ler livros idiotas de vez em quando!
Seja como for, lá comecei a ler o livro. Li cinco (5 - para que não haja dúvidas) páginas, e... Uau! A quantidade de clichés enfiados nestas cinco páginas é brutal! Eu passo a exemplificar: Prólogo - Noite de Natal. E começa com "Exactamente quarenta dias depois de ter pegado na mão do marido pela última vez(...)". Ok, é noite de Natal, e adivinha-se drama (toda a gente sabe que o Natal é a altura em que o drama pesa mais). Depois continua dizendo que a personagem (Julie) estava sentada defronte da janela a olhar as ruas calmas do sítio onde mora (como qualquer personagem deprimida de romance faria). "Estava frio (...) e a chuva batia docemente de encontro à vidraça", claro! "Julie pousou a mão na janela, sentindo a dureza fria do vidro contra pele." - momento clássico de romance Sparksiano. Entretanto dá uma ligeira descrição da Julie, e conta como ela ficou viúva aos 25 anos. E continua depois, com a chegada de uma encomenda misteriosa, com uma carta escrita pelo defunto marido que a emocionou muito, porque dizia que ele tinha planeado aquela encomenda já no leito da morte: era um cachorrinho, para lhe fazer companhia na solidão que ele sabia que se tornaria a vida da esposa após o seu desaparecimento. Claro que não era um cachorro qualquer: era o mais feio que ela tinha visto em toda a sua vida (oh brother... Parece um filme da Disney).
Foi aí que parei com a minha leitura. Aposto que que a Julie encontra outro amor, e que o cãozinho feio lhe vai salvar a vida de alguma forma. O livro é o "Laços que Perduram". Não sei se o vou ler ou não, porque tenho outros livros em lista de espera, mas de qualquer das formas, só com estas cinco páginas, sinto que já li uma dúzia de romances de Sparks! Decididamente, não é do que gosto mais.
Meh...

12/04/2012

Ainda sobre o mesmo tema (ou mais ou menos)...

E quem vem cá ao Porto? Quem é? Precisamente o Sr. George Martin!!! Ah pois é!!! Vai estar no dia 20 de Abril no Norteshopping a partir das 19h para uma sessão de autógrafos. Mas atenção! Só vai assinar os livros da editora Saída de Emergência e com um limite máximo de 2 livros por pessoa!
Quanto a vocês não sei! Mas eu já lá moro! Espero que não estejam filas descomunais... mas cheira-me que espero em vão... *suspiro*

29/03/2012

The Night Watch Trilogy

Ontem acabei de ler The Night Watch Trilogy (que tem mais um livro em modos de epílogo), e adorei!
Escrita por Sergei Lukyanenko (sim, o sr. é russo), esta série de fantasia urbana com elementos clássicos do género tem como pano de fundo Moscovo, e retrata a eterna batalha entre Light Others e Dark Others (mágicos, feiticeiras, bruxas, lobisomens e vampiros) pelo poder de influenciar a humanidade para o "bem" (altruísmo), ou para o "mal" (egoísmo).
Não é uma leitura muito pesada (nem coisa que se pareça), com questões morais muito intensas, ou com cenas muito gráficas, mas também não é tão ligeiro que se possa dizer que entra no infantil. Muito bem escrito, e sem o tipo de contradições estúpidas que as vezes mata este tipo de livro, Sergei montou muito bem as personagens, e o modo como interagem uns com os outros, tornado-as muito credíveis, e conseguindo mesmo colocar-nos ora favor dos "heróis", ora a favor dos "vilões" (notem-se as aspas), sempre com histórias muito bem estruturadas.
 Outro factor muito curioso do livro é o pano de fundo: Moscovo. O autor vai dando descrições do modo de vida russo, e da forma como eles se estão a adaptar ao fim da URSS (sim, ainda hoje eles andam um bocadinho à nora), o que para mim foi um bónus, visto que é um ambiente que, apesar de tudo, ainda me é bastante desconhecido.
All and all, conseguiu-me agarrar, e adorei todos os momentos dos livros! Para quem gosta deste género, é um must! Não é Tolkien (but then again, ninguém o é), mas diverti-me imenso!
A ler!

23/01/2012

Policiais

Eu gosto de livros policiais. Sempre gostei. O hábito de os ler começou em miúda, quando o meu irmão mais velho me punha os que gostava mais em cima da cómoda para eu ler. Graças a ele comecei a ler Agatha Christie (e outros da mesma altura, nunca tão bons mas bons ainda assim) aos 10 anos. Lembro-me de uma aula de Língua Portuguesa do 6º ano em que tínhamos de apresentar à turma o livro que andávamos a ler e eu apresentei "O Convite para a Morte", onde as pessoas morriam uma a uma, segundo um poema, das formas mais variadas algumas mesmo brutais. Escandalizei a professora que foi falar com a minha mãe. Felizmente a minha mãe ignorou e eu pude continuar a ler os livros. Lembro-me que até havia palavras que tinha de ir ver ao dicionário pois não as conhecia. É devido a este historial de leitura de policiais que não acho piadinha nenhuma aos policiais actuais. Eu tento, a sério! Eu compro os mais falados, os que foram premiados! mas não é a mesma coisa, nunca é apesar de eu esperar que seja. Esta é a razão pela qual, de agora em diante, sempre que alguém me recomendar um policial ("pah, este é mesmo fantástico, tens de ler!") eu vou fazer a pergunta "já leste Agatha Christie"?